Percy Lau

Percy Lau nasceu em 1903 na cidade de Arequipa, Peru e faleceu no Rio de Janeiro em 1972. Filho de mãe alemã e pai inglês, mudou-se para o Brasil em 1921 onde se naturalizou. Aos 26 anos faz sua primeira exposição na 1a. Exposição Geral de Belas Artes de Pernambuco.

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A obra de Percy Lau tem relevância nas artes plásticas do Brasil, contribuindo com uma obra pictórica para o patrimônio cultural brasileiro no que diz respeito à função da arte como instrumento de preservação da memória cultural e histórico documental das atividades econômicas e culturais do Brasil no século XX. Ele transferia para o papel, ritmo e sabor, colorido, gestos e ação com espontaneidade onde as criaturas se conservam como são, onde os objetos denotam um manuseio paciente, sem cansaço. Sua obra é caracterizada pela simplicidade do traço sem perder seu valor artístico e a precisão com que retratou  através das mais variadas técnicas de desenho, bico de pena, guache e aquarela, o Brasil de todas as épocas. Sua obra mostra a relação entre o homem e a natureza, paisagens de todo território nacional a partir de 1930 até 1970, mas que hoje se encontra em vias de esquecimento, em virtude do inexorável avanço tecnológico e das novas mídias de registro.

Foi contratado pelo IBGE para ilustrar a Revista Brasileira de Geografia, na seção “Tipos e Aspectos do Brasil” que iria abranger os próximos 30 anos de sua vida. Como contribuição especial, comemorativa da passagem do trigésimo aniversário da Revista em 1969, o IBGE escolheu as ilustrações de Percy Lau para realçar algumas das mais significativas páginas já publicadas em edições anteriores de “Tipos e Aspectos do Brasil”, como também destacar a figura de seu desenhista que, através de um traçado impregnado de arte e sentimento.

Frederico Morais, em crítica publica no Jornal O Globo em 1974, resume bem a grande obra deixada por Percy Lau: “Ilustrador do IBGE durante 28 anos, seu desenho ficou marcado por este compromisso com a paisagem real do País. O lado documento, portanto pesou fortemente sobre a sua criação, contudo, se esta fidelidade à paisagem brasileira, segundo um ângulo institucional impediu no artista vôos mais longos, liberdades, pode-se afirmar também que mesmo o mais rigoroso documentarista, participa do fato documentado com a sua personalidade, sensibilidade e particular visão das coisas do mundo. Percy lau foi um desenhista sensível que soube, graças também ao domínio técnico indiscutível, libertar o lápis, a pena e o pincel em momentos de efusão lírica e de envolvimento emocional ou também de usá-los para simplificar os dados da realidade visual em composições dotadas de grande síntese e espontaneidade de gesto.”

A seguir estão algumas imagens feitas para a a Revista Brasileira de Geografia, com textos de José Veríssimo da Costa Pereira.

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“… naturais, francos, contínuos e limpos, apropriados à criação de gado…”

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“… usa vestimenta sóbria, composta de camisa e calça de pano claro, que lhe permite liberdade de movimentos e defesa contra o clima quente e úmido.”

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“… termina por um largo arredondado de folhas em leque, que são numerosas, lisas, brilhsntes e de um verde carregado: quatro ou cinco dentre elas murchas e secas, caem ao longo do caule.”

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“… uma coleção formidável de colunas gigantescas, erguendo as taças rasas e verde-escuras das copas dominadoras e dispostas no mesmo nível.”

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“O litoral nordestino oferece dois belos espetáculos: o jangadeiro pescador e o debrum vivo dos coqueirais esguios…”

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“O predomínio da mentalidade aborígine, a desambição, a tenacidade e o apego à vida livre…”

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“… tipo social e econômico curiosíssimo, surgido da adaptação da inteligência de especulação comercial a um meio físico, regido por variações sazonarias, a que, sem dúvida, obedecem a atividade econômica e os “gêneros de vida” típicos da região amazônica.”

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 “… todo o seu interesse geográfico sintetizado no ajustamento do “seringalista” a um quadro, cuja fisionomia uniforme tem, como um dos seus corolários, a simplicidade da vida econômica.”

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2 comentários sobre “Percy Lau

  1. Que maravilha,,que coisa fantástica! Dizer que eu comecei a conhecer o meu pais pelas mãos (pelos desenhos) feitos por um peruana. E que trabalho focado, que trabalho sutil, determinante fez esse peruano…..

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